Falta-me hoje o gosto de sangue na boca para poder escrever. Tenho a vontade, a gana, mas faltam-me as palavras. Não por não ter o que falar, afinal sempre se tem, mas antes por não haver como falar as coisas.
Sinto o relógio ruidoso a reclamar ao meu lado enquanto penso no que e em como escrever. Ele informa justamente como meu cérebro está funcionando nesse momento: regular, monótono e talvez por isso eu seja capaz de escrever. A minha falta de coesão e minha confusão me acalmam, me fazem conseguir colocar pra fora o que penso. O próprio pensamento só consegue ser completado dessa forma: incoeso, confuso, mesmo incompleto, pois essa é sua natureza.
Sigo assim escrevendo um texto sem espírito, uma mera informação - síndrome do que se passa em mim. Afinal, nem só de confusão e incerteza eu sobrevivo.
Batata Assada com Molho Pesto (vegana)
2 horas atrás

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