quarta-feira, 4 de novembro de 2009

estrutura ausente

Olhei para o quarto,
não, não mais um quarto: um fantasma, talvez, um não-quarto, um cômodo que respirava meu cheiro.
Olhei para o quarto, não meu quarto, meu não-quarto que viria a ser meu quarto. O cômodo que chamam de meu quarto.
Não tem meu cheiro, tem cheiro de outros. Outros que dormiram na mesma cama, sob as mesmas paredes. Outros que choraram e gozaram a vida nesse lugar.
As paredes ali estão, presenciando a não-relação, a não-vida dessas personagem.
Mas e o não-quarto, o quarto transformado em cômodo. Lá suspira a minha vida, minha voz ecoa em suas paredes, enquanto que a voz de outros ecoam nas do não-quarto, cômodo transformado em quarto.
Assim mesmo, tal cômodo transformado em quarto, transforma a si, numa tentantiva de se tornar quarto. Ainda que não possua meu cheiro, ainda que, por obrigação, não seja eu, torna-se aos pouco parte-quarte, ou quasi-quarto. Uma quimera de cheiros de vozes, de cores, de peles disformes e indistintos, num caleidoscópio, num emio caminho ou caminho do meio em busca de mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sujeito oculto

Mesmo com seu terno vistoso e aparência de chamar atenção, o sujeito escondeu-se. Escondeu-se hoje, como esconde-se sempre. Atrás de suas roupas, atrás de suas palavras, atrás de seu cinismo.
Fá-lo pois é covarde! Tem medo de mostrar-se e não se deixa mostrar senão nas desinências da vida. Possui uma sub-vida, comum somente aos seus companheiros de sintagma. Aos predicativos não resta sequer a menor informação, ele é assim, nulo, anônimo, não realizado.
Cobre-se de outras cores, escreve em outros blogs, fala com outros amigos e assim continua a viver nessa surdina gramatical. A desinência é mesmo o seu lugar!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

temaki

shimeji, nouvelle vague e outras peripécias são as atrações deste místico lugar freqüentado pelos "descolados" da cidade. Gente jovem e bonita apreciando, a preços não tão módicos, a sensação do verão baiano. Perto de tudo, preto de você, perto até do seu coração. Aqui é o reino da alegria.

domingo, 18 de outubro de 2009

do dia seguinte

O dia seguinte é sempre dia de lamento.
Lamento pela noite que não foi tão boa, ou pela noite que morreu cedo demais em dia. Lamento pela noite que não acabou.
O dia seguinte é dia de fazer massagem no pescoço e de almoçar muito tarde, pois não se tem certeza se o que se sente é fome ou o estômago reclamando da noite anterior.
Nesse dia o cérebro já não funciona direito, os músculos reclamam e o arrependimento de não ter pego aquela praia logo cedo invadem o ser.
O dia seguinte é dia de ponderar o que foi dito e feito na noite anterior, de contar quanto dinheiro se gastou e arrumar as roupas que ficaram pelo chão, sem saber de fato de quem é o que.
O dia seguinte é dia de comemorar a juventude.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

azul é a cor de minha gente

Azul é a cor da minha gente.
Não o vermelho, não o branco.
O azul nos define:
não nos arrebatamos com a força de tempestades,
não nos apaixonamos desesperadamente,
não morremos por uma desilusão.
Azul é nossa maldição e nossa benção.
Sendo azuis, machucamos uns ou outros,
mas continuamos azuis.
Precisamos de um pouco de vermelho em nossas vidas,
mas não suportamos o vermelho em excesso,
afinal somos azuis.
Azul é a cor da minha gente

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

desleixo

Eu ando tão ausente comigo mesmo e tão desleixado de minhas coisas que sequer publicar no Wonderland eu publico direito.
É que a vida anda consumindo muito de mim e eu tenho muito pouco ainda a oferecer.
Enquanto o tempo não se esgota fica aqui o recado: me mande um postal de vez em quando. Faz bem, é barato e é o suficiente pra me manter feliz.
Enquanto isso eu vou terminar de ler sobre filosofia da matemática, ou sobre lógica, ou o último dialogo platônico que eu comprei...tempo me falta, mas obras não acabam...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

selvático

1 Que nasce ou se cria nas selvas; selvagem. 2 Sem cultura, nem urbanidade; grosseiro, rústico.