terça-feira, 17 de novembro de 2009

microdramas

Disse umas verdades a mim mesmo.
Choquei-me!
Triste de mim que não me agrado!
Triste de mim que minto pra mim!
Triste de mim que não sei aguentar minhas verdades!

Não sou quem gostaria de ser,
apaixono-me, finjo que me apaixono,
tento chorar mas não consigo
fico triste e deprimido

Odeio essa história!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

dias de choro

Há dias em que simplesmente a tristeza me invade. O mundo deixa de ser belo e o céu azul já não significa nada, senão uma descortesia do céu, que se recusa a ficar cinzento nesse dia.

Chorar é o único desejo real nesse dia: nada há que console, nada há para consolar. Simplesmente é o dia que tiro para ser triste, mais triste que todos os outros, o dia em que me permito sentir algo mais forte. São dias de choro, são dias de chuva, são dias de egoísmo. Egoísmo pois o dia é somente meu, minha tristeza não é abalada por ninguém.

Nesses dias eu ouço música triste, música que fale de mim, de minha tristeza, de minha morte, de meu amor perdido, de minha dor. Nesse dia os filmes são sobre mim e o resto do mundo não importa.

Nesse dia eu posso chorar no ônibus ouvindo a minha dor e posso deitar na cama só para ficar sozinho.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

estrutura ausente

Olhei para o quarto,
não, não mais um quarto: um fantasma, talvez, um não-quarto, um cômodo que respirava meu cheiro.
Olhei para o quarto, não meu quarto, meu não-quarto que viria a ser meu quarto. O cômodo que chamam de meu quarto.
Não tem meu cheiro, tem cheiro de outros. Outros que dormiram na mesma cama, sob as mesmas paredes. Outros que choraram e gozaram a vida nesse lugar.
As paredes ali estão, presenciando a não-relação, a não-vida dessas personagem.
Mas e o não-quarto, o quarto transformado em cômodo. Lá suspira a minha vida, minha voz ecoa em suas paredes, enquanto que a voz de outros ecoam nas do não-quarto, cômodo transformado em quarto.
Assim mesmo, tal cômodo transformado em quarto, transforma a si, numa tentantiva de se tornar quarto. Ainda que não possua meu cheiro, ainda que, por obrigação, não seja eu, torna-se aos pouco parte-quarte, ou quasi-quarto. Uma quimera de cheiros de vozes, de cores, de peles disformes e indistintos, num caleidoscópio, num emio caminho ou caminho do meio em busca de mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sujeito oculto

Mesmo com seu terno vistoso e aparência de chamar atenção, o sujeito escondeu-se. Escondeu-se hoje, como esconde-se sempre. Atrás de suas roupas, atrás de suas palavras, atrás de seu cinismo.
Fá-lo pois é covarde! Tem medo de mostrar-se e não se deixa mostrar senão nas desinências da vida. Possui uma sub-vida, comum somente aos seus companheiros de sintagma. Aos predicativos não resta sequer a menor informação, ele é assim, nulo, anônimo, não realizado.
Cobre-se de outras cores, escreve em outros blogs, fala com outros amigos e assim continua a viver nessa surdina gramatical. A desinência é mesmo o seu lugar!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

temaki

shimeji, nouvelle vague e outras peripécias são as atrações deste místico lugar freqüentado pelos "descolados" da cidade. Gente jovem e bonita apreciando, a preços não tão módicos, a sensação do verão baiano. Perto de tudo, preto de você, perto até do seu coração. Aqui é o reino da alegria.

domingo, 18 de outubro de 2009

do dia seguinte

O dia seguinte é sempre dia de lamento.
Lamento pela noite que não foi tão boa, ou pela noite que morreu cedo demais em dia. Lamento pela noite que não acabou.
O dia seguinte é dia de fazer massagem no pescoço e de almoçar muito tarde, pois não se tem certeza se o que se sente é fome ou o estômago reclamando da noite anterior.
Nesse dia o cérebro já não funciona direito, os músculos reclamam e o arrependimento de não ter pego aquela praia logo cedo invadem o ser.
O dia seguinte é dia de ponderar o que foi dito e feito na noite anterior, de contar quanto dinheiro se gastou e arrumar as roupas que ficaram pelo chão, sem saber de fato de quem é o que.
O dia seguinte é dia de comemorar a juventude.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

azul é a cor de minha gente

Azul é a cor da minha gente.
Não o vermelho, não o branco.
O azul nos define:
não nos arrebatamos com a força de tempestades,
não nos apaixonamos desesperadamente,
não morremos por uma desilusão.
Azul é nossa maldição e nossa benção.
Sendo azuis, machucamos uns ou outros,
mas continuamos azuis.
Precisamos de um pouco de vermelho em nossas vidas,
mas não suportamos o vermelho em excesso,
afinal somos azuis.
Azul é a cor da minha gente